quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Verdades sobre a Independência do Brasil

No próximo dia 7 de setembro comemoraremos a independência do Brasil. Essa data é considerada a mais importante para o povo brasileiro, mas poucos cidadãos sabem o que de fato aconteceu naquele longínquo 1822. Existem muitos mitos sobre a independência brasileira, alimentados pela mídia ou pelo senso comum.

O primeiro deles é que a independência foi um fato isolado, um acontecimento heróico, que teve na liderança de Dom Pedro a razão principal de sua existência. Muitos se esquecem de localizar a independência do Brasil como mais um capítulo da crise do antigo regime europeu e do antigo sistema colonial. Além disso, desde o século XVIII ocorriam diversas revoltas contra a metrópole portuguesa no Brasil, como a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana, que colocavam em xeque o poderio português na sua colônia americana.

Desde a chegada da corte portuguesa, em 1808, já se pensava a emancipação de nosso país. Em 1815, o Brasil foi elevado à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves e esse fato político por si só determinava uma nova perspectiva para o país. O ano de 1822, nessa visão, foi uma etapa natural do processo de independência de uma nação submetida ao jugo de um povo europeu.

Talvez essa visão heróica dos acontecimentos que envolveram o 7 de setembro tenha sido eternizada pela pintura de Pedro Américo, Independência ou Morte. O quadro nos mostra a figura de Dom Pedro ao centro num ato bravo, declarando nossa emancipação política. Muitos se esquecem, entretanto, que o quadro foi uma encomenda do Imperador Pedro II, que queria eternizar aquele momento-chave para a história brasileira. Dizem que Pedro Américo teria se inspirado em Ernest Meissonier, o que era comum aos pintores da época. O quadro de Pedro Américo é quase uma cópia de Napoleão III na Batalha de Solferino.

O segundo mito sobre a independência brasileira é de que ela teria alterado muito das características políticas, econômicas e sociais existentes na época. Isso não é verdade. A independência serviu para consolidar o modelo monárquico, agro-exportador, baseado na mão-de-obra escrava negra e uma sociedade altamente concentradora de riqueza e desigual.

O terceiro mito é o de que não houve nenhuma participação popular no processo de independência. Isso também não é verdade. Houve guerras, sim, em várias partes do País. Em províncias distantes do centro-sul do Brasil, como a Bahia, a Cisplatina, o Grão-Pará e o Maranhão, os conflitos foram intensos e houve muitas mortes.

Enfim, o 7 de setembro se aproxima e devemos utilizar essa data para pensar na nossa nacionalidade, naquilo que produzimos de positivo para o mundo, mas também nos nossos problemas e lutar para solucioná-los a fim de deixarmos um País mais digno e honesto para as futuras gerações.

Curiosidade: o nome completo de Dom Pedro I era Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon.

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