quarta-feira, 30 de março de 2011

PARA REFLETIR

Certa vez, um jovem foi ter com o bom homem, São Filipe Neri, para confessar seus pecados. Ele já conhecia muito bem uma de suas falhas: não que ele fosse má, mas costumava falar mal dos outros, sempre diminuindo-os, sem querer saber se iria prejudica-los ou não. Essas histórias passavam de boca em boca e acabavam fazendo mal – sem nenhum proveito para ninguém, mas o jovem se sentia o máximo, o dono da verdade, pois os invejosos e mal sucedidos na vida os adorava.
São Filipe lhe disse:
– Meu filho, você age mal falando dos outros; tenho que lhe passar uma penitência. Você deverá comprar um saco de penas no mercado e depois caminhar para fora da cidade. Enquanto for andando, deverá pegar as penas e ir espalhando-as. Não pare até ter jogado todas as penas. Quando tiver feito isso, volte e me conte.
Ela pensou com seus botões que era mesmo uma penitência muito singular! Mas não objetou. Comprou o saco de penas, saiu caminhando e jogando as penas, como ele lhe dissera. Depois, voltou e reportou a São Filipe.
– Meu filho – disse o Santo –, você completou a primeira parte da penitência. Agora vem o resto.
– Sim, o que é, padre?
– Você deverá voltar pelo mesmo caminho e catar todas as penas.
– Mas, padre, é impossível! A esta hora, o vento já as espalhou em todas as direções. Posso até conseguir algumas, mas não todas!
– É verdade, meu filho. E não é isso mesmo que acontece com as palavras tolas que você deixa sair da sua boca? Não é verdade que você inventa histórias que vão sendo espalhadas por aí,prejudicando as pessoas de boca em boca, até ficarem fora do seu alcance? Será que você conseguiria segui-las e cancelá-las, se desejasse?
– Não, padre.
– Então, meu filho, quando você sentir vontade de dizer coisas indelicadas sobre as pessoas, feche os lábios. Não espalhe essas penas maldosas pelo seu caminho pois nunca mais poderá recolhe-las.

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